Sozinho, mas não abandonado
Uma compilação
Quando estamos sozinhos e nos sentimos solitários, é fácil imaginar que um cônjuge, ou a família, ou a comunidade da igreja afastará a solidão. No entanto, mesmo os melhores momentos do casamento, da vida em família e do relacionamento com os amigos sempre deixam a desejar: a harmonia perfeita passa rápido demais, os sentimentos calorosos de desvelo mútuo se esvaem e os relacionamentos humanos têm altos e baixos. Mesmo no seu ápice, percebemos que falta algo.
Deveríamos, na verdade, nos alegrar por perceber que o há de melhor nesta vida nos deixa ansiando por algo superior, mais duradouro e melhor. Por mais maravilhosas que sejam essas dádivas terrenas, o fato de não serem capazes de nos atenderem a todas as nossas necessidades torna as promessas de Deus de nos satisfazer plenamente por toda a eternidade, ainda mais impressionantes. Significa que a nossa alegria em Deus e uns nos outros será melhor, mais profunda e, sim, muito mais feliz (Filipenses 1:23). Toda solidão na terra é uma confirmação interior de que as nossas maiores alegrias relacionais estão por vir. A ausência deveria fazer o coração olhar com esperança para o futuro.
Isso não neutraliza a dor da solidão, mas nos lembra que é parte de um mundo efêmero e passageiro (1 Pedro 1:24,25). O futuro que nos aguarda será completamente livre da solidão e preenchido por uma plenitude relacional muito além do que podemos imaginar. Portanto, da próxima vez que a solidão bater à sua porta, agradeça a Deus por ela, pois é um lembrete poderoso da glória que o espera junto a Ele.—Steve DeWitt1
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É irônico e trágico que, em uma era de conectividade tecnológica sem precedentes, convivamos com alguns dos mais altos índices de solidão já registrados. Solidão não se define pela ausência física de pessoas — é perfeitamente possível sentir-se só cercado por pessoas e, da mesma forma, não nos sentirmos solitários quando estamos sozinhos. A solidão é um estado emocional de profunda sensação de isolamento, um vazio que sentimos mesmo quando estamos rodeados de gente.
Embora esse estado pareça cada vez mais comum, não é um fenômeno novo. As Escrituras, enfatizam a importância da companhia, da amizade e da comunhão. Fomos criados para o relacionamento — tanto com Deus quanto uns com os outros. Embora os relacionamentos não sejam perfeitos nesta vida, podem ser restaurados, estabelecidos e fortalecidos pela graça de Deus.
Do Antigo Testamento:
- A primeira menção à solidão é encontrada em Gênesis 2:18, onde Deus declara que não é bom que o homem esteja só. O remédio de Deus para a solidão de Adão foi a criação de Eva e a instituição do casamento (Gênesis 2:21–24). Deus proveu a Adão uma companheira — uma auxiliadora também feita à imagem de Deus — para unir-se a ele na vida.
- Quando Adão e Eva pecaram, os relacionamentos foram prejudicados. Não apenas a humanidade foi separada de Deus, mas os relacionamentos humanos também foram danificados (Gênesis 3:16, 24).
- Mesmo quando Deus pronunciou as consequências do pecado de Adão e Eva, Ele também deu esperança: o protoevangelho (Gênesis 3:15). Essa esperança era a promessa de um Salvador, que derrotaria Satanás e restauraria a paz entre Deus e a humanidade.
Do Novo Testamento:
- O Salvador prometido no Jardim é Jesus Cristo, o único e verdadeiro remédio duradouro para a solidão (2 Coríntios 5:18–21).
- Jesus deu a sua vida pelos seus amigos (João 15:13–15).
- Em Jesus, nunca estamos isolados ou sozinhos. Jesus nos deu o Espírito Santo para viver dentro de nós e estar conosco para sempre (João 14:15–17). Deus promete que está sempre conosco (Mateus 28:20).
- Pela obra de Deus, também nos reconciliamos com as outras pessoas (Efésios 2:11–22).
- Por termos recebido o Espírito de Deus e pelo exemplo de Cristo, aprendemos a pôr de lado o orgulho e a procurar suprir as necessidades dos outros, e não apenas as nossas (Filipenses 2:3–8).
- Deus nos colocou em famílias para praticarmos o amor e o serviço ao próximo. Conforme maridos e esposas crescem no amor e no serviço a Jesus Cristo, aprendem a amar e servir um ao outro (Efésios 5:22–25). Da mesma forma, os filhos aprendem a se submeterem por amor aos pais e estes aprendem a não irritar os filhos (Efésios 6:1–4). Em suma: relacionamentos restaurados, funcionando em submissão mútua, significam menos solidão.
- Por sermos crentes em Cristo, juntamo-nos à vasta família espiritual de Deus, muito maior do que qualquer família natural. Embora a lealdade a Cristo possa causar tensão com as nossas famílias terrenas, Deus mais do que compensa, tanto agora quanto eternamente (Mateus 19:29). Nesta família, ninguém precisa estar só — podemos amar e valorizar uns aos outros.
Se você está se sentindo solitário, pergunte a si mesmo se já foi reconciliado com Deus pela fé em Jesus Cristo. Se a resposta for sim, lembre-se da Sua promessa: "Eu nunca o deixarei, nunca o abandonarei" (Hebreus 13:5). Jesus, que morreu por você, foi preparar um lugar, onde você habitará com Ele e com todos os remidos eternamente (João 14:1–3). Até lá, Ele nos deu o seu Espírito para habitar em nós e ser nosso consolador e guia (João 14:16–18). Nenhum crente em Cristo está verdadeiramente sozinho.
No que diz respeito aos relacionamentos humanos, devemos perguntar o que estamos fazendo sobre a nossa solidão. Não há motivo para desesperança. Deus nos dá oportunidades de estendermos a mão às pessoas, de expressarmos como nos sentimos e buscarmos amar e servir ao próximo. A solidão é muito real, mas podemos combatê-la vivendo da maneira como fomos designados a viver por Deus, em comunidade genuína. Isso exige ação da nossa parte, mas contamos com a força de Deus para fazê-lo.—CompellingTruth.org2
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Durante as tempestades, a sensação de solidão se intensifica. Muitas vezes, nos esforçamos tanto para encontrar uma saída ou sermos resgatados que nos esquecemos de procurar a verdadeira e mais confiável fonte de segurança, abrigo e refúgio.
Ontem à noite, não conseguia dormir de jeito algum. Tenho sofrido com desânimo, dúvidas e frustração. Minha mente e meu corpo recusavam-se a relaxar. Chovia torrencialmente e apesar de eu estar em casa, fisicamente protegido em um lugar aquecido e seco, meu espírito não se sentia assim. A chuva parecia cair em sintonia com as batalhas e dificuldades que tenho enfrentado há um bom tempo. Eu me sentia só, vulnerável, desprotegido contra os ventos gelados e ensopado por uma tristeza que parecia interminável.
Eu estava rapidamente perdendo a esperança e minha fé vacilava. Sinceramente, disse ao Senhor que, de todo o coração, desejava ficar firme e ser fiel até a morte, mas que isso só seria possível com Sua ajuda. Foi então que me lembrei da canção “Hiding Place”, (Esconderijo), de Steven Curtis Chapman.
Comecei a ouvi-la sem grandes expectativas. No entanto, cada palavra fazia sentido para mim, como uma xícara de chá quente num dia chuvoso, ou a sensação de alívio ao entrar em um lugar seco depois de estar lá fora no frio do inverno.
Senhor, não Lhe peço para levar embora minhas dificuldades.
Pois é na tempestade que aprendo a confiar.
Eu Lhe agradeço pela promessa que guardei,
Pelo amor que me acolhe quando mais preciso.
Você é meu esconderijo,
Seguro em Seus braços
Estou a salvo da tormenta.
Quando sobem as águas,
E corremos em busca de Abrigo,
Você, Senhor, é o nosso esconderijo.
Enquanto ouvia a canção, o Senhor falou comigo: Você está se refugiando de verdade nas Minhas promessas e no Meu amor? Estou ao seu lado; nunca o abandonarei. Deixe-Me ser o seu refúgio e abrigo como lhe prometi, até a tempestade passar. E juntamente com essas palavras senti-me inundar por promessas que conheço desde sempre:
“Eu me refugiarei à sombra das tuas asas, até que passe o perigo” (Salmo 57:1).
“O Deus eterno é o seu refúgio, e para segurá-lo estão os braços eternos” (Deuteronômio 33:27).
“Deus disse: "Eu nunca os deixarei e jamais os abandonarei’. Portanto, sejamos corajosos e afirmemos: ‘O Senhor é quem me ajuda, e eu não tenho medo’.” (Hebreus 13:5,6).
Com a perspectiva renovada, posso agora confiar e descansar na certeza inabalável de que Jesus é o meu refúgio e abrigo, constantemente ao meu lado durante todo e qualquer temporal.—Steve Hearts
Publicado no Âncora em outubro de 2025.
https://anchor.tfionline.com/pt/post/sozinho-mas-nao-abandonado/
1 Steve DeWitt, “Loneliness Has Been My Faithful Friend,” Desiring God, 17 de maio 2020, https://www.desiringgod.org/articles/loneliness-has-been-my-faithful-friend
2 Compelling Truth, “Does the Bible say anything about loneliness?” https://www.compellingtruth.org/Bible-loneliness.ht


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