100% DESONESTA EXPOSTA
O ateu que diz simplesmente não acreditar em Deus e, por isso, não ter qualquer ónus da prova a cumprir, está a jogar um jogo. O ateÃsmo sobrevive muitas vezes agindo como se não precisasse de provar nada. Mas será que devemos mesmo pensar que, nos bastidores, não há nada para além de uma tela em branco?
O ateu dir-nos-á que o ateÃsmo não é uma crença ou uma visão do mundo, mas meramente a “ausência de crença em Deus” e nada mais. Mas não acredite nisso — porque ninguém vive num vácuo filosófico. Toda a pessoa necessita de operar com pressupostos sobre a natureza da realidade. Afinal, na ausência da existência de Deus, tudo no nosso mundo fenoménico — incluindo o visÃvel e o invisÃvel — deve ter surgido através de causas e processos puramente naturais. Ou é Deus ou é a natureza. Portanto, mesmo que alguém afirme não acreditar em Deus e nada mais, essa ausência dá necessariamente origem a uma rede de visões, pressupostos, valores e conclusões sobre a realidade.
Terão inevitavelmente posições — sejam elas explicitamente declaradas ou não — sobre o propósito e o sentido da vida, sobre o nascimento, o casamento, a morte e até a possibilidade ou impossibilidade de uma vida após a morte. E é razoável supor que todas estas posições se baseiam num fundamento epistemológico naturalista.
Se o ateu rejeita a existência de Deus e sustenta que um Ser Supremo nada teve a ver com a origem e a formação do nosso mundo extraordinariamente ordenado e matematicamente estruturado, então que se demonstre esta explicação. Que se demonstre como processos cegos, impessoais, fortuitos, aleatórios, acidentais e sem propósito poderiam, involuntariamente, produzir tal coerência, inteligibilidade e ordem. Se não puder ser demonstrado, então não se sabe. E se não se sabe, não deve ser afirmado com confiança.
Qual é, então, a sua explicação para a realidade na ausência de Deus? E qual é a prova de que esta explicação é verdadeira? Simplificando: não a afirme meramente — demonstre-a. Não a assuma — justifique-a. Se Deus não é o fundamento da existência — o alicerce último — então o que é? Se não é Deus, então algum modelo alternativo de realidade “não-Deus” deve ocupar o Seu lugar. Mas qual é a base deste modelo? Que evidências o suportam?
No fundo, a questão não é se alguém tem uma visão do mundo, mas se está disposto a reconhecer a sua presença e a assumir a responsabilidade de a defender. Toda a negação acarreta implicações, e toda a implicação acarreta um fardo. A alegação de “mera ausência” não lhe escapa — simplesmente obscurece-o.
-- Paul Ross


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