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Thursday, February 12, 2026

Tia Ida e Tio Joe - A Voz Diária


 Por Dennis Edwards:

Um relato pessoal sobre como uma pessoa fiel foi uma inspiração para mim e me ajudou a crescer na fé.

Desde jovem, durante os turbulentos anos 60 e 70, o mundo parecia estar à beira da destruição, como bem expressou Bob Dylan na sua famosa canção "The Times Are a Changing". Com a Rússia e os Estados Unidos totalmente armados com armas nucleares, com a guerra no Vietname, o descontentamento nos campus universitários em consequência da mesma, e a agitação social e racial na sociedade em geral, o mundo parecia estar à beira de uma explosão, quer interna, quer externa.

Lembrei-me do meu segundo ano de universidade, tão deprimido que até me atrevi a tirar-me da ponte sobre o rio Ohio que liga Marietta, Ohio, com Parkersburg, West Virginia. Mas, por alguma razão, não o pude fazer. Eu sabia que o amor existia no mundo. Embora não tivesse comunicação nem uma relação aberta com os meus pais ou avós, sabia que uma pessoa me amava: a minha tia Ida.

Quem era Ida? Para empezar, na realidade não era minha tia. Ela e o tio José eram nossos vizinhos quando vivíamos num pequeno conjunto de apartamentos próprios para os meus avós em Brooklyn, Nova Iorque. O meu irmão e eu, nacimos allí, em Brooklyn, e quizá a minha irmã também. A Ida e o José cuidavam de nós para os meus pais e depressa se tornaram a Tia Ida e o Tio José.

Não tenho a certeza de onde era Ida. Cresci num orfanato. Lembro-me que ela tinha os pés pequenos porque precisava de usar os sapatos doados, que eram demasiado pequenos para ela, por isso os dedos dos pés ficavam todos apertados. Quizás era italiano como o tio Joe, mas podia ter sido albanesa porque se parecia com um pouco da Madre Teresa.

Quando o tio José era jovem, vendia legumes nas ruas de Brooklyn.. Incluindo a oferta de trabalho com os mafiosos de Al Capone, mas gostaria de ganhar a vida com honra. Se alguma vez conheceu um cristão naquela época, esse era o tio José. Tinha o costume de parar para ajudar quem tinha problemas com o carro na estrada de Queens para Oakdale, Long Island.

Era antes da Patrulla de Carreteras de Emergência, dos telemóveis e não só. Tinha um grupo de pessoas que o visitavam por causa da ajuda que lhes tinha oferecido. Ele e Ida não tinham filhos, por isso os seus novos amigos adotaram-nos como família. O tio José até nos deixava, a nós, as crianças, bebericar a espuma da sua cerveja, o que era algo muito especial para nós na altura. A tia Ida corrigia-o sempre.

Depois de a minha novia me ter deixado por outro jovem, entrei numa depressão profunda durante o meu primeiro ano de universidade. Nick Verrastro, o meu companheiro de piso da universidade, podes contar. Ninguém me amava. O mundo era um desastre, uma confusão, um caos. Eu deveria ser convocado para o serviço militar e ir para o Vietname assim que terminasse a faculdade.

Perdi toda a esperança de viver. Os meus cursos na faculdade ensinaram-me sobre a evolução, e absorvi-a, rejeitei a fé da minha juventude e mergulhei no ateísmo e no pensamento existencialista. Mas naquele momento tão escuro, não podia presumir que o amor não existia, porque ele tinha visto na vida do meu tio Joe e tinha sentido nos braços cariosos da minha tia Ida.

Lembrei-me do nosso bungalow familiar em Long Island. A Ida e o Joe estavam perto do nosso. Adorei passar tempo sozinha no bungalow para descansar, pensar e afastar-me da monotonia da vida e da escola em New Jersey. Entre o primeiro e o segundo ano da faculdade, eu era uma jovem de 19 anos fechada e deprimida. Com o cabelo pelos ombros em protesto contra a guerra e o "estilo de vida americano", fui a pé até casa da Ida e do Joe.

Quando entrei no seu bungalow, Ida abraçou-me e perguntou-me o que passaria. "¿Te pasa alguma coisa, Dennis?". Nenhuma resposta pude. Estaba encerrada em mim misma e confundida, deprimida e desesperanzada. Cantou uma canção enquanto me abrazava, uma canção que solía cantar connosotros quando éramos crianças: "Un celemín y un beso, y un abrazo al cuello". E assim nos cairemos. Ella abraçou-me e cantou uma e outra vez "un celemín y un beso, y un abrazo al cuello".

Nunca abra o meu coração à Ida nem conte tudo o que me preocupa. Só quando teve a minha experiência com Deus um ano depois é que me pude abrir e começar a partilhar o meu coração com os outros. Mas o abraço de Ida naquele momento foi a segurança que este jovem angustiado precisava de saber que o amor existia. Se o amor existisse, tal vez Deus também existiu, e tal vez teve algum sentido neste mundo aparentemente sem sentido.

Gracias a Deus pela Tia Ida e Tio José, a todos os demais Idas e Josés do mundo que dan amor e são exemplos do amor de Deus aos demás. Si hubiera más, ¡qué mundo tan maravilloso seria!

Publicado originalmente a 12 de setembro de 2012

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