Dennis Edwards
Há dezasseis anos, o meu filho de vinte e sete anos morreu subitamente num acidente de natação. À meia-noite do dia 17 de março, Dia de São Patrício, recebi um telefonema do colega de quarto do meu filho. O meu filho tinha desaparecido e as suas roupas foram encontradas numa praia próxima.
A minha primeira reação foi ajoelhar-me e clamar ao Senhor em oração. Ao fazê-lo, para minha grande surpresa, tive uma visão do meu filho a entrar no Céu para alegria dos meus pais e de outros entes queridos falecidos. Soube imediatamente que não seria encontrado vivo. Cinco dias depois, o seu corpo foi encontrado por turistas alemães na praia.
O que me ajudou a ultrapassar aqueles dias difíceis? Qual foi o bálsamo que me permitiu seguir em frente? Certamente, ter um relacionamento com o Senhor e poder ouvir a Sua voz suave em oração foi de grande ajuda e estabilidade naquele momento. As palavras de encorajamento que outros receberam em oração por mim também foram muito fortalecedoras. Ler a palavra de Deus, especialmente os Salmos, onde encontro conforto na palavra escrita, também foi importante. Clamar ao Senhor de todo o meu coração em oração foi outro aspeto importante da cura e ajudou-me de formas que provavelmente não compreendo conscientemente.
Mas talvez a chave mais importante para a minha cura de uma forma tangível e física, que recordo com mais clareza acima de tudo, tenha sido o amor e o encorajamento que recebi de outras pessoas. Para que isso acontecesse, precisei de confessar e partilhar a minha dor. A Bíblia diz: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros; orai uns pelos outros, para que sareis” [Tiago 5:16]. Confessar aos outros o que estava a passar permitiu-me receber o encorajamento de que necessitava e foi talvez a chave para a vitória e a cura.
Lembro-me do meu primeiro dia nas Bermudas, onde o meu filho tinha falecido. Ao pedir informações numa loja, referi à assistente que era o pai do jovem que se tinha afogado recentemente. “Coitadinho de ti”, suspirou ela. “Posso ir aí dar-te um abraço bem apertado?” Em diversas ocasiões, recebi encorajamento de estranhos que conheci desta forma.
Deus promete consolar-nos nos nossos momentos de tribulação. [2 Coríntios 1:4] Jesus disse que nos enviaria o Consolador, o Espírito Santo. Ele quer que sejamos consolados. Mas se guardarmos os nossos problemas, se reprimirmos a dor, não receberemos o amor e o encorajamento de que necessitamos, e o nosso processo de cura será mais longo e talvez nunca se complete.
Por isso, não esconda essas emoções. Deixe as lágrimas rolarem. Partilhe a sua dor. Partilhe a sua tristeza. Ao fazê-lo, os outros responderão com o bálsamo do amor de que necessita. Não sofra em silêncio. Partilhe a sua dor e aqueles que o rodeiam ajudarão a curá-la. Deus age desta forma para nos aproximar uns dos outros e sermos os Seus braços, as Suas mãos, os Seus lábios e os Seus ouvidos uns para os outros.
Quando recebemos o amor e o encorajamento de que necessitamos nos nossos momentos de angústia, somos capazes, mais tarde, de retribuir esse amor e encorajamento a outras almas necessitadas ou em sofrimento que se cruzam no nosso caminho. “Bendito seja Deus… que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão a passar por tribulações.” [2 Coríntios 1:3-4]


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